Colunista
Luiz Carlos Prates
Fechei o livro, era tarde da noite, e liguei a televisão, quis dar um passeio pelos canais. Parei no canal 118 da Sky, TV Senado. O que acabara de ler estava sendo “reforçado” pelo documentário que corria na tela da tevê.
O que acabara de ler dizia mais ou menos assim: - “Antes de casar, pergunte
a si mesmo: serei capaz de manter uma boa conversa com essa pessoa até a velhice? Todo o resto é passageiro num matrimônio”. Bah, mas é o que vivo dizendo em muitas das minhas palestras, o que vai segurar o casamento, torná-lo longevo, é a qualidade interna dos cônjuges, isto é, a qualidade da conversação que vão precisar ter para que aquelas duas cadeiras lá da frente da casa possam ser bem ocupadas.
Nenhum chimarrão, nenhuma caipirinha segura marido e mulher um ao lado do outro se entre ambos não houver boa qualidade de conversação. É a conversação que os une, não o sexo como pensam os vulgares. Mas é claro que aquela pergunta – será que serei capaz de manter uma boa conversa com essa pessoa até a velhice...? – só pode ser feita por alguém que saiba da importância dessa virtude e também, é óbvio, que a outra pessoa responda na mesma freqüência. Dois ocos não terão essa preocupação.
Mas como disse, fechei o livro e liguei o televisor no canal da TV Senado. Estava no ar um documentário com a professora de literatura e acadêmica da Academia Brasileira de Letras, Cleonice Berardinelli, na data com 95 anos. Que lucidez, que memória, que inteligência, que repentes, que erudição, que encanto. Fiquei pensando, uma mulher dessas jamais poderia se casar com um tipo desses que andam por aí. Desses que riem por nada, curtem humor na tevê e não lêem nem placa de banheiros... Quem sentar ao lado de uma mulher assim ou terá o que dizer ou melhor é que vá lá fora chupar um picolé, e não volte. Os encantos internos prendem mais que as alianças nos dedos...
ELES
Desliguei a TV Senado e fui para a TV Cultura, tudo na Sky. Davam um documentário sobre os jovens coreanos que vieram morar no Brasil. Que lição! Os caras, eles e elas, espertos, simpáticos, cultos, esforçados, honestos...
E fiquei pensando, por que os nossos jovens não são “parecidos”? Talvez porque vivam na fartura, nunca lhes falta nada e mesmo que aqui vivam na miséria, vivem na miséria porque querem, nada é negado ou falta a quem deseja estudar e trabalhar no Brasil. Olavo Bilac tinha razão, falta-nos uma boa guerra, e perdê-la. É preciso que esses arvoados (a palavra está certa) que andam por aí acordem para o trabalho duro e honesto e reconheçam
a fartura em que vivem. Muito disso tudo, é claro, culpa dos pais, meros idiotas reprodutores.
PROMESSAS
Acabei de ler mais um daqueles anúncios de jornal que me deixam pensativo;
de fato, enganar pessoas ingênuas e, não raro, desesperadas, é mesmo um negócio muito rico... Nesse anúncio que acabei de ler, a pessoa por trás da mensagem diz que vai fazê-la, leitora, encontrar o seu par perfeito, a sua alma gêmea. Trabalho seguro e rápido. E há ignorantes, desculpe, quis dizer ingênuos, que acreditam. Como é fácil ficar rico, basta não sentir comichões éticas.
FALTA DIZER
Distinção. Foi assim como recebi o convite da Cobrapol -Confederação Brasileira de Policiais Civis – Brasília – para ser distinguido e participar do XIII Congresso da entidade. Será em Foz do Iguaçu nos próximos dias 30 – 31 – 1°. Ser o “estranho no ninho” fez-me feliz e extremamente honrado. Lá estarei – Hotel Mabu Termas e Resort, Av. das Cataratas.
